Olhares platônicos

Tua boca aquece minha alma
Teus olhos são minha calma
Rasga-me o desejo de reencontrá-la
Com seu som, música, palavras.

Perdi-me em meus desejos
Segredos profanos em bocados
Ceda aos meus vícios proibidos
Venha, pois somos destinados.

Encanta meus sonhos senhora
Clamo por seu nome até a aurora
Abraça-me como outrora
Dancemos nossa valsa

Valsa dos loucos apaixonados
Musica dos tolos embriagados
De passos e olhares platônicos
Que sacia nossos pecados

Marcou minha memória
Com meu medo de amá-la
Que rebenta o peito e fala
O desejo de tomá-la

Mas somos proibidos
Apenas sonhos não vividos
De dois seres reprimidos
E corações desencontrados

O reflexo

Procura em tua alma
Um belo cântico soturno
Que conte tua nostalgia
De algumas noites pelo mundo

Diga-me o que lhe falta
Nesse infeliz viver sozinho
E qual a tua proposta
Ao encéfalo render-se ao vinho

Nessa tua face tão sofrida
E de alma tão corrompida
Apenas ser o simples estranho

Uma quimera esquecida
Com a vida mal resolvida
A quem este componho _seu espelho_

Castelo de areia

Meu castelo de areia

Bate a brisa volta e meia

Ruindo os sonhos


Monto meu quebra cabeça

Desligo-me do que me rodeia

Deixando os pensamentos medonhos


Tento me adaptar

Acabo por me esgotar

Preso a teias passadas


Sempre a me enganar

Buscando me normalizar

Mais com asas curtas


Em livre queda

Sufoca-me a ânsia

Da invasão de pensamentos


Vejo que tudo me queima

Praticamente me condena

Malditos, malditos são os sentimentos.


Quero o óbolo pra pagar

Quero o óbolo pra descansar

E tranqüilizar dentre os moribundos


Em esquecimento fazer parar

Em lembrança se transformar

Somente coisas passadas


Vivencia longa, frustrada.

Sem entendimento, cinzenta.

Mais no fim apenas palavras exageradas

Você tem que acreditar

Você tem que acreditar
Todos têm que acreditar
Mais em que acreditar?

Que ainda a esperança
Que tudo que passa é lembrança
Pois a sempre concordância

Você tem que acreditar

Que tudo que é feio é belo
Que fazemos um céu do inferno
E temos que olhar, sorrir e gostar

Você tem que acreditar

Que o mais forte não tem defeito
Que não existe preconceito
E toda situação lhe vem a calhar

Você tem que acreditar

Que o que escrevo é verdade
Que não existe atrocidade
Que o justo não possa superar

Pois é...
Você tem que acreditar

Pierrot

Do ponto da desgraça
Ao que o coração empala
Como Pierrot o tolo ensaia
A espera de sua Columbina

Dentre o olhar de um Arlequim
A sempre de se seguir assim
Cântico do desprezo ao fim
A fim de vedá-la o sim

Desprovido de palavras
Atuando a encantá-la
Coração logo dispara
Almejando conquistá-la

Devaneio que vem de mim
Ali em meio às garrafas de gim
Castigando-me enfim
Ao pensar no querubim

Dispenso as esperanças
Agrego-me a insignificância
Calando o que sentia
Assim começo outro dia.

Quase escravidão

ofuscando os olhos

as palavras sinceras

caindo em um abismo

tantas descobertas

procurando um beco

para onde vou?

destinos sombrios

isso é o que sou

sentido contrario

pessoas soberbas

atrás de outro trago

somente tristezas

ganância, desejos, insatisfação.

razão evolutiva

quase escravidão

o cheiro da poluição prolifera

urbanização, torre de babel.

viajo nos olhos a procura do céu